Faltou assunto.

9 09UTC julho 09UTC 2009

Volta e meia acontece isso comigo. Papel e lápis na mão e nadica de inspiração, nada a escrever. Acreditem, no tempo dos chips minúsculos, pen-drivers de 20 gigas, da mais alta informática, o cronista ainda se encontra no tempo da pedra lascada. Só consegue escrever à mão. Escrevinha a crônica no papel e só depois (se conseguir decifrar a própria letra) é que passa a limpo no computador.O branco, o apagão total, teima em acontecer sempre que estou prestes a viajar.

Já apontei o lápis “ene” vezes, a cachola latejando, e nada de assunto. O papel limpo ulula à minha frente. O que fazer! Ao meu lado, o jornal do dia prestes a virar papel de embrulho. Macambúzio, folheio com vagar as manchetes do matutino. “Comissão de Ética arquiva o processo contra a vereadora”. Novidade.Era de se esperar. Todo mundo com o rabo preso… Pelo menos deveriam ter a decência de devolver o vultoso salário que indevidamente receberam as custas da domestica, que virou laranja.

No planalto, a mesma coisa. Quando o presidente da Câmara, Michel Temer (ele não é a cara daqueles mordomos de filme de terror antigos), resolve colocar um pouco de ordem no pedaço, seus pares se voltam contra ele. Tinha deputado que viajava pro exterior com o meu, o seu, o nosso dinheiro. Um cara de pau nordestino usou como argumento a seu favor, que não podia deixar a mulher sozinha em casa, sob pena de desestabilizar o casamento. Outro levou a amante e agregados para um tour pelas Ilhas Gregas. Até o Gabeira entrou nessa. E o que dizer das milhagens. Tinha assessor de deputado vendendo as milhas no mercado negro. Acho que vocês não sabem do pior. Os campeões dessas mutretas são os deputados mais abonados. Como diria o Boris Casoy: é uma vergonha!

Quando trabalhava no serviço publico (nunca mais), solicitei com antecedência, uma passagem para a Bienal do Livro. Passaram semanas, meses e nada das passagens. Teve gente que viajou no mesmo período pra mais de cinco vezes. Quando vi que daquele mato não iria sair nada, comprei do próprio bolso. Quem manda não entrar no esquema. Mas não tenho do que me queixar. Melhor assim. Ninguém poderá dizer que eu prevariquei.

Uma manchete que dói no bolso. “Petróleo baixa 40 % – mas o preço da gasolina continua o mesmo”. O governo apregoa aos quatro ventos que somos auto-suficientes no quesito petróleo. Todo mês se descobrem novas reservas. Então por que não baixar o preço nas bombas. Na seqüência, outra noticia aparentemente aziaga. , mas, pensando bem, nem tanto.

Vi as imagens da teve e fui lá conferir, com meu jornalismo (de vez em quando) investigativo: a big-enchente de Belém na segunda-feira. As pessoas que andavam pelas ruas ficaram ilhadas, sem possibilidade de socorro. Os carros tiveram que parar porque avançar, além do risco de naufragar, podia significar a destruição do motor. Em 15 minutos de águas de fazer Noé embevecer, a cidade afundou. Parecia São Paulo. Pelo menos em matéria de cheia, já não temos mais motivo para invejar a terra dos bandeirantes.

Mas a pior de todas as noticias, (pelo menos para mim) ficou para o final. Da leitura e da crônica. “Gripe Suína se alastra pelo continente. México, Estados Unidos e Canadá são os que têm o maior numero de casos.” A propósito: quando vocês estiverem lendo essas linhas, o cronista estará a caminho dos Estates. Mas não se preocupem. Já me vacinei contra a gripe (a nossa), comprei uma dúzia de mascaras cirúrgicas e tratarei de lavar bem as mãos… E seja o que Deus quiser!

Na próxima crônica voltarei a ser razoável.

cronista9@hotmail.com

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