Feliz Ano novo!

12 de janeiro de 2009

Mas um ano se passou, mais uma página virada. Para alguns, 2008 não deixou saudades. A verdade é que o cronista nunca deu muita importância a datas comemorativas. Aniversario, Natal, Ano Novo… Mais vale, melhor, bem melhor, ter, ver a família reunida em torno de uma mesa farta. Sempre acreditei que amor, felicidade, amizade se transmite por telepatia, um sorriso contido, uma nesga do olhar. Palavras, discursos elaborados, presentes caros, recepções pomposas são apenas acessórios, se esvaem como espuma na praia.

Para muitos, o Natal, o Réveillon e outros eventos desse tipo, são pretextos criados sabe se lá por quem, para se vender, reunir pessoas em banquetes pantagruélicos. Pensem nisso. Gosto, curto, mas não entendo – pessoas que passam semanas planejando nos mínimos detalhes uma festa efêmera, e depois que os fogos se apagam, o efeito do álcool se dissipa, se volatizam, voltam a ser os mesmos.

Meu final de ano foi legal. Como de costume, no Rio de Janeiro, junto à família, alguns amigos. Que bom seria ter o supremo dom da ubiqüidade, reservado somente aos deuses. Estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Abraçar todos os parentes, todos os amigos…

Quinze minutos antes do apagar das luzes de 2008, fomos para a praia de Copacabana assistir aos fogos. Duas garrafas de espumante, um ramo de flores… Na marquise ao lado do nosso prédio, uma figura conhecida. Um senhor aparentando 60, 70 anos – quem sabe? Ao contrário dos esmoleres de costume, não disse, não pediu nada. A turba ululante passava por ele (eu também) como se fosse um objeto inanimado. Um vaso, uma natureza morta, um poste. Observador, notei seu olhar carente, triste, perdido. Pensei com meus botões: para ele (e muitos outros excluídos) a virada do ano novo não tem nenhuma importância, não passa de um dia qualquer. Ele não tem mais família, amigos. Sua única preocupação é arrumar alimento e abrigo seguro para dormir. Meu Deus!

Deixei de lado minhas elucubrações, ao ouvir o estrondo dos primeiros rojões. Feliz Ano Novo! Beijos e abraços, saúde, paz, amor, felicidade… Tem coisa melhor? Findo os fogos, andamos na contramão da turba, pela Avenida Atlântica transbordante rumo ao apê do Juarez. O Pará em peso estava presente. Nane, Roberto, Abnader, Mario Sergio, Remor… Beberiquei uma coca bem gelada, tracei um bacalhau “de responsa”, filei um doce, abracei, fui abraçado. Lá pelas duas, tiramos o time. Já não sou o mesmo. Nem uma dose de malte sorvi!

Mofino, enfim chegamos à “Paula Freitas”. No mesmo lugar, apesar do burburinho do boteco ao pegado – imóvel – o sem-teto dormitava. Insensível, passei por ele do mesmo jeito que na ida. Interfonei para o porteiro, subi no elevador, entrei em casa. Tomei uma chuveirada, liguei o ar, tentei, em vão, dormir. Quem disse? A imagem dele não saía da minha mente. Abri a geladeira abarrotada de comida e mordisquei uma suculenta ameixa. Cheio de remorso, enchi um prato com pedaços de peru, leitão, arroz, farofa, tender… sobras da nababesca e saborosa ceia.

Desci. Para minha surpresa, estava desperto. Estendi-lhe o prato de comida, no que ele agradeceu com o olhar. Não proferiu uma palavra sequer. Dormi o sono dos justos. Como de costume, acordei com as galinhas. Escovei os dentes, vesti a bermuda, juntei uns trocados a fim de comprar o jornal e o pão.

Vocês não vão acreditar. Lá estava ele. Ao me ver, estendeu a mão enrugada e disse: Dois dias atrás, sua filha me deu uma quentinha. Ontem, foi o senhor. Deus lhe abençoe. Feliz Ano Novo!

cronista9@hotmail.com

Cozinhando no estrangeiro

12 de janeiro de 2009

Quem pensa que o cronista só se aventura pelas cozinhas paroaras, está redondamente enganado. A estória da crônica de hoje aconteceu quando estávamos em Santiago do Chile, ao apagar das luzes de 2006. Por influência dos filhos, hospedamo-nos num “Hostel”, pra quem não sabe, uma pensão, um albergue para estudantes. Querem saber a verdade? Uma espelunca! Bem diferente da simpática e aconchegante pousada em que nos hospedamos em Bariloche. Quem quisesse escovar os dentes, tomar um banho decente (sem platéia), tinha que madrugar na porta dos banheiros. Por mim, tudo bem. Viajando ou não, estou acostumado a levantar bem cedo. Depois das nove, era um Deus nos acuda! Uma turba de jovens remelentos e despenteados tomava de roldão as dependências sanitárias. Uma das poucas coisas que prestava no pardieiro, era a moderna e bem aparelhada cozinha. Como toda pensão, cada hóspede levava os ingredientes e preparava sua comida. Sabendo disso, tratei de ir ao mercado, (e que mercado) a fim de comprar os acepipes necessários. Escolhi como piece de resistance, um risoto de hongos (cogumelos desidratados) que lá proliferam como erva daninha.

O Mercado Municipal da cidade de Santiago deixa qualquer gourmet de queixo caído. Pescados, lulas, lagostas, salmões, calamares, pulpos, verduras, frutas… Todos fresquinhos. E o que dizer dos embutidos? Copas, Presunto de Parma, salames… Deixei de lado a gula e adquiri os ingredientes necessários para a janta.

Na volta, entro no albergue cheio de bregueços. Além dos hongos, duas garrafas de Merlot, um pão baguete coberto de gergelim, uma réstia de cebolas roxas, um gigantesco alho-porró, um pacote de arroz arbóreo, meia dúzia de pimentas vermelhas, creme de leite, manteiga, um maço de manjericão, outro de alecrim, uma fatia portentosa de parmesão Faixa Azul.

Ao chegar à cozinha, encontrei três atabalhoados austríacos tentando finalizar um espaguete. Se é que pode se chamar assim, aquela miscelânea. Que heresia! Numa panela abarrotada de água, transbordavam verduras, carnes e uma massa disforme. Bem que eu tentei dar um jeito, melhorar a panelada. Mas era tarde, muito tarde. Já não havia nada a fazer.

Apos os gringos liberarem o fogão, e, literalmente engolirem a gororoba, iniciei os preparativos do risoto. Refoguei em manteiga clarificada: alho-porró, cebola, arroz arbório, uma pitada de noz moscada, lascas de hongos – devidamente hidratados – um cálice de Calvados, (um aguardente de sabor incomparável) acresci manjericão, alho porro, alecrim, e a água demolhada dos cogumelos. Por último, salpiquei uma minúscula porção duma rara e perfumada especiaria – trufas brancas. Quando me preparava para finalizar o prato, ouvi um zum-zum danado. Para minha surpresa, amontoados na porta da cozinha, uma dezena de jovens esfomeados assistiam hipnotizados à cena. Ao ver o frisson que nosso risoto de hongos havia causado, meu filho arrumou um jeito de faturar uns trocados. Por módicos cinco dólares, ofereceu nosso manjar à babel de famintos estudantes.

Foi uma permuta justa – justíssima. Eles comeram e se fartaram – quase de graça – com uma fina iguaria. Eu paguei a janta, e, ainda por cima, economizei a mesada do garoto.

No outro dia, quando nos preparávamos para bater pernas pela cidade, tímidas, duas esfomeadas jovens francesas me abordaram à porta do albergue:

Monsieur Denis, qual é o menu de hoje?

cronista9@hotmail.com

Até quando?

12 de janeiro de 2009

Conheci Salvador Nahmias montado num rabo de foguete. Estava em São Paulo, as coronárias obliteradas, Hospital, médicos estranhos. Opera não opera. E eis que surge meu Salvador. Pelo telefone, ele deu as coordenadas para minha mulher. “Leva o Denis pro Hospital do Coração e deixa o resto comigo”. Pensei com meus botões: mas ele mora em Belém…

– Batata! Em menos de duas horas, uma equipe de médicos gabaritados remendou meu coração. Uma semana depois retornei a Belém. Desde então, ele acompanhou todos os meus passos. Quando me mudei pro prédio que ora resido, imaginem quem foi meu primeiro vizinho? Ele, Salvador Nahmias. Tem coisa melhor? Eu morando no vigésimo primeiro andar e ele no vigésimo. Se o meu o coração ratear é só descer um andar. Acreditem – um dia aconteceu. Eu, sozinho em casa, a mulher viajando e o coração disparou. Interfonei pro seu apê e em minutos lá estava ele. Estetoscópio, aparelho de pressão, o carinho, a competência de sempre.

O destino vive a nos pregar peças. Um belo dia, cheguei na garagem pitando um proibitivo cigarro. Chamei o elevador e, antes de entrar, dei a derradeira tragada. Pra quê! Imaginem quem entrou no térreo? Salvador. Sorridente, entabulou conversa. E eu com a fumaça presa nos pulmões. La pelo décimo andar, o fôlego nas últimas, capitulei colocando pra fora a fumaça retida.

Em pouco meses, outros moradores se juntaram a nós. Demorvan, Resque, Magela, Alberto, Lima… Amante inconteste de carnes, tratei de comprar uma churrasqueira movida a gás. Foi uma festa! Todos os fins de semana, descíamos para fazer um churrasco. Eram tempos de bonança. Na ultima sexta, encontrei com ele na garagem e solicitei a requisição dos exames pra o check-up anual. Foi a última vez que nos falamos.

Num piscar de olhos, perdi meu amigo, meu vizinho, meu medico. Um meliante ceifou sua vida em troca de um punhado de dinheiro. Sem saber, (sabendo) seus pais deram-lhe o nome de Salvador. Por trinta anos ele foi o “Salvador” de milhares de pacientes. A crônica saudosa, se encerra nesse parágrafo.

Se o poder público não tem condições, se vê impotente para coibir a violência que grassa em nossa cidade, cabe a nós, cidadãos, a sociedade civil constituída, aos órgãos de classe (OAB, ACP,APL,CRM, FIEPA, CDL…) nos mobilizarmos e tentar por a termo o caos instalado.

Por que nossa prestimosa governadora não coloca nas ruas os militares que dormitam em repartições, realizando funções burocráticas? Lugar de polícia é na rua! Se estão faltando armamentos, viaturas, motos, bicicletas… Vá a Brasília. A senhora não é unha e carne do Tarso Genro, do Lula? Dispense concorrência. Compre urgente. Belém agradece.

E o que dizer dos banqueiros? Os cofres abarrotados, fruto de juros escorchantes. Por que não disponibilizam profissionais em suas agências, a fim de coibir a ação de meliantes travestidos de clientes? Se um sujeito entra numa fila e não paga, não recebe, não deposita, e. ainda por cima, cola o ouvido no celular – aos costumes. Pau nele!

Não podemos fazer olhos, ouvidos de mercador. Basta! Chega de omissão! Às favas os filisteus, os energúmenos, os sacerdotes que acolhem, defendem esses bandidos se valendo de direitos humanos. Direitos humanos? Nessas horas sou obrigado a repensar o lema do truculento Mariel Mariscott: “Bandido bom é bandido morto!”

Perdoem o cronista. É que eu estou indignado. Raciocinem comigo. Ano passado foi o Cavaleiro de Macedo. Mês passado foi o advogado do Grupo Líder. Sexta foi o Salvador. Amanhã pode ser eu, vocês.

cronista9@hotmail.com

“Carro velho é como asma: melhora, mas nunca fica bom” (Legenda de caminhão)

Desde que me entendo por gente, automóvel é condução. Basta me levar numa boa, ter ar, um sonzinho maneiro e direção – dou-me por satisfeito. Dispenso vidro elétrico, jance de magnésio, descarga barulhenta, suspensão rebaixada, painel futurista, som de boate, teto solar… Nem pensar! Ia me esquecendo: faço questão de um porta-malas espaçoso, que beba com parcimônia – de preferência – total – flex. Em suma: BBB (bom, bonito e barato). Seguro, nem pensar! Pra que? Dirijo ha décadas e até hoje jamais provoquei um acidente. E olha que já fui proprietário de maquinas antológicas. A primeira, um DKW Vemag igualzinho ao do saudoso Aguilera, pai do Raul. A única oficina autorizada de Belém que mexia neles, era a do Bria, craque paraguaio que fez sucesso jogando no Paissandu. Boaventura, quase esquina com a Quatorze. Tempos que trazem suaves e inesquecíveis recordações.

Tempos depois, adquiri dois fuscas, um Maverick, Corcéis I, II, um guloso Landau 79 abarrotado de multas impagáveis. Herança maldita de um bicheiro carioca, recém chegado a Belém. Impossibilitado de sustentá-lo, repassei o pepino pro boa praça Mauricio Chaves. Depois vieram Monzas, Escortes, Fiat 147 (uma bomba), Vectra, L 200, Galant, Corolla…

Carro bom é carro novo. Tem coisa melhor do que o cheiro que dele exala? Pena que dure tão pouco. Não importa a marca, o preço, o estilo, a potencia do motor. Dou à mão a palmatória pro Henrique Silva – dileto primo postiço. Cansei de ouvi-lo repetir a exaustão. “Se puderes, troque de carro assim que expirar a garantia”. Mas nem sempre é possível.

Todo esse arrazoado porque um dia desses um corretor me abordou na Oswaldo Cruz..

– Quer vender?

– Quanto vale o meu?

– Vinte e três, vinte e cinco mil. Aceitamos troca – o senhor não se interressa por um Audi, BMW, Mercedes, semi-novos? Não dá prego, dor de cabeça. A troca é rapidola, o financiamento imediato. 48 suaves prestações.

Égua! Sou obrigado a confessar: sempre quis ter um alemão!

Peguei o cartão do chapa e segui viagem. Semanas depois, o carango me deixou na mão. Pensei em chamar o Touring. Que droga! Sócio benemérito, remido, sem nunca ter usado as benesses, quando necessito – estava extinto. Algo como pagar um plano de saúde a vida inteira e quando aparece uma mazela: “Procure o SUS”! O jeito foi procurar o Zezinho, o Rei das Baterias. Num piscar de olhos, ele vaticinou: bateria!

Pechincho e a batera morre em três onças. Beleza. Nisso chega uma BMW nas últimas. Foi estacionar e literalmente – mor-reu. Guardadas as devidas proporções – era como se um paciente chegasse fumado à Emergência de um hospital particular. Enfermeiros (mecânicos), médicos, intensivistas – um Deus nos Acuda. Só que o paciente (no caso o carro) não possuía plano de saúde.

Assisti de camarote ao diagnostico preciso e pessimista do Zezinho. Condenou gerador, bateria, velas, dínamo…

Resumo da Ópera: 1800 pilas!

Exultemos todos nós, felizes proprietários de automóveis usados. Caveirinha, Vado, Tony, Yuri, Laríssia, Morgado, Zeca Pimentel… Carro é como contador, advogado, médico, vizinho, amigo, mulher… Se for trocar, melhor conhecer a fundo suas vontades, suas virtudes – e os defeitos também.

cronista9@hotmail.com

A mão esquerda

12 de janeiro de 2009

“Entre dois males, escolho sempre aquele que nunca experimentei” ( Mãe West)

O personagem da crônica de hoje foi, é, sempre será, um dos meus maiores ícones jormalistico-literários. Infelizmente, a nova geração, (a velha também) nunca ouviu falar dele. Salvo Walmir Botelho, somente Paulo André Barata conhece suas obras, seus desatinos, seus porres homéricos, sua eterna inquietação.

Li e reli todos os seus livros – a maioria das suas crônicas. Fissurado, cheguei ao cúmulo de garimpar seus alfarrábios pelos sebos do Rio de Janeiro. A gauche – tal qual o titulo de seu mais famoso romance – À mão esquerda – Fausto Wolff caminhou pela contramão.

Menino pobre, filho de imigrantes alemães, ainda adolescente jogou tudo pro alto e foi tentar a sorte no Rio de Janeiro. Bom de papo, boa pinta, bom de copo, em pouco tempo se enturmou. Fez-se jornalista (e dos bons). Durante sua lassa vida, escreveu em quase todos os jornais e revistas do País. De quebra, foi um dos sócios fundadores do Pasquim.

Concomitante, tornou-se um contista incomparável. “O nome de Deus” é seu maior cometimento. Em 294 páginas, 10 contos curtos, Fausto Wolff disse tudo. Erudito, culto (falava fluentemente cinco línguas), errático, doidivanas, inconseqüente, revoltado, largou tudo e resolveu viajar pelo mundo. Quantos tiveram vontade e se acovardaram?

Anos atrás, tentei trazê-lo para a Feira Pan-Amazonica do Livro. Liguei insistente, até que um belo dia ele resolveu me atender. Adoentado, tentando sair do ostracismo, da cova rasa que ele mesmo se enfiou, peremptório, recusou o convite. Transcrevo “ipsis literis” suas palavras: “Sou um escritor maldito. Fora meus filhos, o JB (Jornal do Brasil), você e meu amigo Sergio Mendonça, quem irá me ouvir, quem irá me ouvir?

Assim era Fausto Wolff. Ano passado tive o prazer de conhecê-lo. Fuçando raridades na “Boca do Sapo” (um sebo na Visconde de Pirajá), esbarrei num gigante ofegante. Era o alemão. Um palmo mais alto do que eu – a empatia foi imediata. Paternal, colocou a manopla no meu ombro e disse:

– És um guri tri-legal. Não consegui identificar teu sotaque – de onde vens?

Ao saber que morava em Belém, quis saber noticias de um antigo parceiro – Sergio Mendonça. Papo vai, papo vem, me levou pra bebericar no Barril. Em menos de uma hora entornou cerca de meio litro de uísque. O único sinal de embriaguez eram as faces coradas, o suor porejando. Sorvi com sofreguidão seus relatos, viajei em suas viagens. Tava tudo tão bom que me esqueci das horas.

Foi a primeira e única vez que o vi.

No mês passado, ao abrir o site do JB Online, fui surpreendido com a noticia de sua morte. Contrito, li sua derradeira crônica (escrita na véspera). O titulo? “A sombra do medo em flor” Como de costume, disparando farpas certeiras contra tudo, contra todos. Até o ultimo momento, Fausto permaneceu fiel aos seus princípios – certos ou não. O começo da crônica era fulminante. “Dêem a chefia de uma portaria ao mais dócil empregado e logo ele se tornará um tirano”

Alguém ousa desmenti-lo?

Com sua morte, o jornalismo perdeu um de seus ícones. Perdemos seu texto preciso, indignado, fluente, arrebatador. Para ele, não importava enfrentar cassetetes, balas de fuzil, tiros de canhão, um incomodo espinho. Pena que tenha partido sem ter conseguido realizar seu maior intento: banir de vez as injustiças, os descalabros, a corrupção.

No fundo, nas profundezas do seu ser, tenho certeza que ele sabia que sua missão era impossível.

Nada melhor que o tempo para tornar relativas as verdades absolutas.

cronista9@hotmail.com