Bom dia, me desculpe, por favor, obrigado!

5 de janeiro de 2014

Bom dia, me desculpe, por favor, obrigado!

A madrugada se esvaía quando entrei no supermercado. Acreditem: é a melhor hora para se fazer compras. Os corredores estão vazios, as prateleiras repletas, o balcão de frios não tem viv´alma. O único inconveniente são as verduras e legumes frescos que ainda não foram repostos nas prateleiras. Era o último dia do ano e eu dava tratos a bola a fim de elaborar um prato simples na virada do ano. Com os filhos, genro, nora e neto ausentes, achamos por bem ficar em casa. Nada de bebedeiras, comilanças, trânsito, barulho… Esse ano resolvemos fazer um programa diferente – ficar em casa e admirar os fogos na Teve e na Estação das Docas.
Após colocar no carrinho os gêneros que faltavam na dispensa, me dirigi a atendente que dormitava no caixa rápido – até 10 volumes. Desejei-lhe um Bom Dia e comecei a descarregar as compras. Ela me olhou com cara de peixe e me ignorou solenemente. Segundo ela, eu não poderia passar os produtos pois eles ultrapassavam o número permitido. Olhei para trás e não vi nenhum cliente – custava ela me atender? Contei até mil e achei melhor relevar. Era o último dia do ano e eu não iria me aborrecer só por causa de uma funcionaria destrambelhada e um panetone a mais ou a menos não faria a menor diferença. Apartei o item da discórdia, paguei a conta, ensaquei as compras e abri um pacote de “sonho de valsa”, chocolate que remete e tem odor de infância. Retirei um bombom e lhe entreguei: Isso é para adoçar o resto da madrugada. Feliz Ano Novo”. O olhar de surpresa que ela me dirigiu, não tem preço. Tem gente que vive de mal com o mundo e transfere suas neuras e problemas para o primeiro que aparece. Então, se a vida lhe dá um limão – faça uma limonada!
Já faz algum tempo que venho me dedicando a leitura do Budismo e suas premissas. Talvez isso tenha acalmado minha psique açodada, meu gênio indômito. Agora mesmo estou lendo um livro que recomendo a todos que desejam evoluir espiritualmente: “A arte cavalheiresca do arqueiro zen”. Trata-se de um libelo da milenar sabedoria oriental. Mas nem sempre foi assim. Eu fui, ou era, um cara esquentado, pavio curtíssimo, daqueles que não leva desaforo pra casa. O que eu ganhei com isso?
Agora, o outro lado da moeda. Lá pelas onze, resolvo tomar um sorvete. Ao meu lado um sujeito pra lá de mal-educado, um desses pulhas que suprimiram do vocabulário as palavras “por favor desculpe”, até um simples “obrigado”, vocifera: “me dá um isopor de açaí”. Assustada com tamanha ignorância, a atendente ainda tenta contemporizar, desejando-lhe um sonoro bom dia. Sem pestanejar o quadrúpede responde: “Só se for para você. Me dá logo esse sorvete que estou com pressa”. Quem não é parte da solução é parte do problema. Quando eu me preparava para liberar meus demônios adormecidos, meus instintos mais primitivos, eis que surge do nada um rapazola destemido. Disse e poucos e boas para o biltre, que caiu na real e baixou a bola.
No prédio em que morei durante mais de uma década havia uma vizinha que também vivia de mal com o mundo. Tanto fez que perdeu tudo. Marido, família e os poucos amigos que ainda restaram acabaram se afastando. Sua frase predileta? “Odeio pessoas felizes”. Deve ter passado o réveillon trocando ideias com seu enorme ego. E você, amável e educado leitor, conhece alguém assim? Tratar bem o semelhante é como andar de bicicleta. Quando não se pratica desde pequeno, mais tarde fica difícil aprender.
PS* Li em “O Liberal” uma notícia alvissareira. Um Café parisiense anuncia preço diferenciado para os produtos expostos. Se o cliente iniciar o pedido com a palavra mágica – “Por Favor” – paga só a metade. Se a moda pega…

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