Cartagena das Índias 12/9/13

11 de janeiro de 2014

Ao contrário da úmida e fria Bogotá, Cartagena é luminosa, ensolarada, seu povo é ternamente caloroso, acolhedor. Fundada em 1513, Cartagena parece ter parado no tempo. A grande maioria dos sobrados e casarões são do século 17 e se encontram em excelente estado de conservação – bem diferente da nossa Belém – pois não? Cartagena era exatamente o que eu imaginava ao ler os romances de Gabriel Garcia Márquez, sobretudo, “Amor nos tempos do Cólera”. Sabem aquelas cidades barulhentas e agitadas a qualquer dia e hora da semana? Cartagena é assim. Uma cidade tirada de um conto de fadas -ou melhor – de um filme de piratas.
O clima caribenho tomou conta de mim e tratei de trocar as roupas formais por bermudas e sandálias havaianas. A denominação “La Heroica”, como também é conhecida Cartagena, se deve a valorosa resistência ao cerco implacável imposto pela Espanha em 1815. A cidade antiga é circundada por 11 km de muralhas fortemente armadas e intransponíveis. Atualmente é um sítio turístico com cerca de 60 hotéis luxuosos e mais de trezentos habitações populares. Suas águas são cálidas
, variando do verde-claro até o verde-esmeralda. Uma cidade de gente amável e trabalhadora, mas, sobre tudo, um pequeno paraíso onde reside a essência do realismo mágico. Assim como o mundo fala do Rio de Janeiro de Machado de Assis, da Londres soturna de Dickens, o Marajó de Dalcídio, da Paris de Victor Hugo, fala também da Cartagena de Garcia Márquez.
Através de suas ruas estreitas, casas coloridas, balcões e igrejas coloniais, Florentino Ariza se enamorou perdidamente por Firmina Daza. No antigo Convento de Santa Clara, uma outra personagem também sofreu os males do amor, deixando os cabelos crescerem até atingirem a incrível marca de 22 metros e 11 cm.
Mas nem só de história e literatura vive o homem. Cartagena é um excepcional sítio gastronômico. Pratos regionais como “Luxúria del mar, pescados, arroz de lombo palenquero…”são vendidos em centenas de restaurantes a preços módicos, acompanhados de patacones (uma banana desconhecida) amassada e frita em azeite fervente. Os mariscos e pescados são um capítulo a parte.
Numa das caminhadas matinais fomos testemunhas disso, ao topar com uma turma de ilhéus puxando uma enorme rede. Como não estava fazendo nada, me prontifiquei a ajudar. Após um quarto de hora, a rede fervilhante de peixes estava na praia. Imaginem só, famintos leitores, sardas, sardinhas, tainhas, camarões, robalos (o mesmo que o nosso saboroso camurim)sendo despescados. Até um solitário e incauto tubarão que tocaiava o cardume de tainhas se enredou nas malhas traiçoeiras!
Por um preço módico, um dos pescadores se prontificou a escamar e moquear o peixe ali mesmo. Tempero? Uma folha de bananeira, limão galego, a brisa e o sal do mar. Tem coisa melhor?
Foi lá que descobri e fiquei fã de carteirinha dos incríveis e misteriosos sabores da rica cozinha peruana. O arroz chaufa (um amalgama perfeito de especiarias mesclados com pedaços de frango, porco, camarões, e salsa chifera despertou em mim sensações incríveis. E ainda tinha mais! Cevices, tacu-tacu,chupe de camarões… Só não tive coragem de provar um dos pratos mais icônicos – o cuy – parente próximo do nosso preá.
Como num trecho de “Viver para contar”, romance emblemático de Garcia Márquez ” Me bastou dar um passo para dentro das muralhas e ver em toda sua grandeza a luz malva das seis da tarde para que eu pudesse experimentar o sentimento de haver voltado a nascer de novo…”

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